O Banco Central determinou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank. A medida ocorre na esteira da crise do Banco Master, controlador da instituição, e foi precipitada após a Mastercard executar uma dívida contratual, já que o banco digital deixou de honrar pagamentos do arranjo de cartões.
Com um passivo de R$ 6,5 bilhões apenas em CDBs, o Will Bank agora entra no processo de ressarcimento via Fundo Garantidor de Créditos (FGC), trazendo incertezas para seus cerca de 9 milhões de clientes, especialmente nas classes C e D e na região Nordeste.
É fundamental que o investidor compreenda as regras de proteção. O FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ dentro de um mesmo conglomerado financeiro. Como o Will Bank e o Banco Master formam um único grupo, os saldos das duas instituições são somados para efeito do teto de indenização.
Além disso, instrumentos como as Letras Financeiras (LF), das quais o Will possui R$ 1,3 bilhão a pagar, não contam com a garantia do fundo, deixando esses credores em uma posição de maior risco.
Passo a passo para o ressarcimento
O processo de solicitação de reembolso é totalmente digital e deve seguir o modelo já adotado para o Banco Master. Pessoas físicas precisam baixar o aplicativo oficial do FGC (disponível para Android e iOS) e realizar o cadastro com dados pessoais, enquanto pessoas jurídicas devem utilizar o site da instituição.
Até o momento, o sistema ainda aguarda atualização para incluir a opção específica do Will Bank, mas a previsão é que, após a liberação e assinatura digital via biometria, o depósito ocorra em até 48 horas úteis na conta informada pelo usuário.
Histórico e situação financeira
Fundado em 2017 e adquirido pelo Master em 2024, o Will Bank vinha operando sob o Regime de Administração Especial Temporária (RAET) desde novembro de 2025. Embora tenha registrado lucro no terceiro trimestre do ano passado, a instituição apresentava patrimônio líquido negativo de R$ 76 milhões em setembro, com dívidas totais na casa dos R$ 14,2 bilhões.
O Banco Central tentou preservar a unidade para uma possível venda a novos investidores, mas a execução da dívida pela bandeira de cartões inviabilizou a continuidade das operações.



